domingo, 30 de outubro de 2011

Amar é bom demais, mas como dói

       Tarde de domingo. Céu azul, pouco vento, poucas nuvens... Poucas coisas a fazer. A tv ligada em um canal de áudio de bossa nova, um não sei quê de melancolia no ar. Mas também, queria o que? Ouvindo bossa nova e lendo ora Vinicius de Moraes ora Arnaldo Jabor... No peito uma mistura de sentimento de amor frustrado, com um toque áspero de realidade e a sensação de que sem o amor nada faz sentido [essa parte vem mais de Vinicius de Moraes]. E deslizando pelo mar num barquinho eu sigo me lendo nos textos desses dois caras que mais parecem incríveis máquinas de ultrassom humanos, lendo e revirando td q há bem dentro da nossa alma. Mas enfim, sempre achei q a vida só valesse a pena embalada por fortes paixões, que viver fosse uma sucessão sem fim de um amor após o outro, naquela visão do poetinha de que seja infinito enquanto dure. Mas aí vem uma dor seguida de outra, um desengano, uma desilusão, e finalmente aquela terrível [e quem me dera, equivocada] sensação de que o amor não existe para todos [e aí eu me incluo].
As pessoas me criticam quando eu digo que estou vivendo uma abstinência afetiva, ou quando digo ter perdido a crença no amor. Geralmente são pessoas que não viveram metade do que eu vivi, que não amaram metade do que eu amei, que não sofreram metade do que eu sofri. Talvez não tenham buscado tão sofregamente pelo amor. E sabemos que quanto maior a ânsia de encontrar maior é a decepção quando nâo achamos nada. 
         É fácil se fechar, talvez pareça fácil. É seguro. É protetor... Hibernação sentimental, ostracismo... chame como quiser. Mas como viver sem amar? Como viver sem ouvir uma música da Ana Carolina e pensar em alguém, com uma pontada de amor e outra de dor? Como ler um soneto e achar bonito mas não pensar em escrever e mandar para alguém que achamos que é o grande amor da nossa vida? Escolha difícil essa entre amar e se resguardar. O medo de amar só existe nos corações que mais amam. Quem nao ama constantemente nao tem medo de se entregar a um grande amor, porque a pouca frequência do amor  significa pouca frequência de sofrimento. Sim, amor é sofrimento, mais cedo ou mais tarde. Quem nunca sofreu por amor é porque nunca amou de fato.  Alguns [e algumas] boçais se incham orgulhosos e dizem q não têm medo de se aventurar em relacionamentos, mas essas pessoas provavelmente entram no amor como quem entra para a guerra, protegidos, na defensiva e sempre prontas ao ataque. Mas quem se entrega verdadeiramente ao amor vai desarmado, vai de peito aberto, pronto a levar um tiro no peito, pronto a ver seu sangue escorrendo em forma de lágrimas, pronto para se render diante de um sorriso, de uma flor roubada, de um beijo num fim de tarde, de uma noite de amor depois de uma taça [ou várias] de vinho. 


Amar é bom demais. é um perigo iminente de que precisamos para seguirmos vivendo. O que estraga o amor são as pessoas.

Um comentário:

  1. Para o amor vale o seguinte proverbio: Espere o melhor, se prepare para o pior e receba o q vier.

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